A possibilidade de uma nova paralisação nacional dos caminhoneiros voltou a mobilizar a categoria e já acende um sinal de alerta em Santa Catarina. A principal reivindicação é que o Senado vote, até o dia 16 de julho, a Medida Provisória (MP) 1.343/2026, que altera as regras do piso mínimo do frete e amplia a fiscalização sobre o cumprimento da tabela de preços do transporte rodoviário de cargas. A proposta já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e aguarda votação no Senado.
Em entrevista à Jovem Pan News Litoral, o presidente da Associação Catarinense dos Transportadores de Carga Rodoviária, Janderson Maçaneiro, conhecido como “Patrola”, afirmou que a decisão sobre uma eventual greve não é tomada por sindicatos ou associações, mas pelos próprios caminhoneiros durante assembleias realizadas em diferentes estados.
Segundo ele, o movimento começou a ganhar força no Porto de Santos e já conta com mobilizações em outras regiões, como Mato Grosso, portos do Norte do país e parte do Paraná. Em Santa Catarina, as assembleias ainda serão realizadas, mas a categoria acompanha o andamento das negociações em Brasília.
De acordo com Maçaneiro, se a MP não for colocada em votação dentro do prazo, a tendência é que a paralisação seja ampliada para todo o Brasil.
O que é a MP 1.343?
A Medida Provisória 1.343 foi editada pelo governo federal para reforçar o cumprimento da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, criada em 2018 após a grande greve dos caminhoneiros.
Entre as mudanças, a proposta fortalece a fiscalização do pagamento do frete mínimo, cria mecanismos para identificar cada operação de transporte e aumenta as penalidades para empresas que pagarem abaixo da tabela obrigatória. Durante a tramitação na Câmara, o texto também recebeu outras alterações, como a criação de um piso salarial nacional para motoristas de longa distância e a anistia de multas aplicadas a caminhoneiros envolvidos nos bloqueios de rodovias após as eleições de 2022.
Agora, a medida depende da aprovação do Senado. Caso não seja votada até o prazo previsto, perderá a validade.
Categoria reclama de aumento dos custos
Durante a entrevista, Maçaneiro afirmou que a insatisfação dos caminhoneiros vai muito além do preço do diesel.
Segundo ele, a categoria também reclama da obrigatoriedade do uso de TAGs nos veículos, da cobrança de pedágio em situações consideradas indevidas, de cobranças duplicadas quando há mais de um dispositivo eletrônico instalado, do aumento dos seguros obrigatórios, que podem chegar a R$ 1.800 por mês para caminhoneiros autônomos, além de críticas às fiscalizações realizadas nas rodovias.
Outro problema apontado é a dificuldade para manter a rentabilidade dos fretes. Conforme explicou, muitos contratos são fechados antes dos reajustes do combustível e, quando o diesel aumenta, o caminhoneiro precisa cumprir o serviço pelo valor antigo, reduzindo ou até eliminando o lucro da viagem.
Santa Catarina pode ser um dos estados mais afetados
Caso a paralisação seja ampliada para Santa Catarina, os impactos podem ser significativos.
Segundo Maçaneiro, o estado possui cinco portos e é um dos principais corredores logísticos do país. Uma interrupção no transporte de cargas pode afetar diretamente as exportações, principalmente dos setores de carnes, além do cumprimento de contratos internacionais.
Ele lembrou que, durante a greve de 2018, os prejuízos econômicos nunca chegaram a ser totalmente calculados e afirmou que uma nova paralisação também pode provocar reflexos no abastecimento e em diversos setores da economia.
Apesar do clima de mobilização, Maçaneiro disse esperar que a greve não seja necessária.
Segundo ele, os próprios caminhoneiros seriam prejudicados por uma paralisação, já que muitos poderiam enfrentar perdas financeiras, multas e outros desdobramentos.
A expectativa da categoria é que o Senado coloque a MP em votação antes do prazo final. Caso isso não aconteça, novas assembleias deverão definir se Santa Catarina e outros estados irão aderir ao movimento nacional.


