A inteligência artificial está transformando a forma como as pessoas trabalham, automatizando tarefas e mudando a rotina de empresas em diferentes setores. Mas, em meio a esse avanço tecnológico, uma pergunta tem ganhado força: afinal, o que a IA não consegue substituir?
Para especialistas que participaram do Congresso Catarinense sobre Gestão de Pessoas (CONCARH), realizado em Florianópolis, a resposta está nas chamadas habilidades humanas. Competências como comunicação, criatividade, pensamento crítico, empatia, inteligência emocional e capacidade de aprender continuamente devem se tornar ainda mais valiosas nos próximos anos.
O empreendedor e publicitário Hugo Rodrigues afirmou que o diferencial de um profissional não está apenas em dominar novas tecnologias, mas também em executar bem tarefas consideradas simples no dia a dia.
Segundo ele, atitudes como cumprir prazos, chegar no horário, pedir feedback, reconhecer erros, manter a curiosidade, persistir diante dos desafios, pedir ajuda quando necessário, aprender com pessoas mais experientes e compartilhar conhecimento fazem diferença em qualquer profissão.
Outra palestra sobre o tema foi apresentada por Borja Castelar, ex-diretor do LinkedIn para a América Latina. Para ele, o avanço da inteligência artificial representa uma oportunidade para tornar o trabalho mais humano.
Na avaliação do especialista, durante muitos anos as empresas concentraram esforços em aumentar a produtividade e a eficiência. Agora, com a automação de atividades repetitivas, os profissionais poderão dedicar mais tempo ao que a tecnologia ainda não consegue reproduzir, como a criatividade, a capacidade de analisar situações complexas, a comunicação e a inteligência emocional.
Castelar também destacou que aprender a utilizar ferramentas de inteligência artificial será cada vez mais importante, mas afirmou que isso precisa caminhar junto com o desenvolvimento das competências humanas e do autoconhecimento.
Segundo ele, a tendência não é que a maioria das profissões desapareça, mas que o mercado de trabalho passe por uma profunda transformação, com mudanças nas funções atuais e o surgimento de novas ocupações.
Para Mariane Nicoloso, coordenadora de Conteúdo do CONCARH, esse cenário também traz desafios para as empresas e para os profissionais de recursos humanos. Ela defende que, além de investir em tecnologia, as organizações precisam criar ambientes que incentivem o aprendizado contínuo, a colaboração e o desenvolvimento das habilidades comportamentais.
O CONCARH reúne mais de 5 mil participantes em Florianópolis e aborda temas ligados ao futuro do trabalho, liderança, inovação, cultura organizacional e saúde mental. A discussão sobre inteligência artificial reforçou uma das principais conclusões do evento: quanto mais a tecnologia evolui, maior tende a ser a importância das competências que dependem da capacidade humana.


