O curso de Jornalismo da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) completa 35 anos nesta segunda-feira (28). A data também reacende uma discussão sobre o peso da formação universitária em uma profissão que não exige diploma desde 2009.
Criado em 1991, o curso realiza programação nesta segunda e terça-feira (28 e 29), no Teatro Adelaide Konder, no campus de Itajaí. A agenda inclui debates sobre jornalismo investigativo, redes sociais e os impactos da inteligência artificial, além de uma exposição histórica.
A discussão acontece em um momento de mudanças na profissão. As redações se tornaram multiplataformas, as redes sociais aceleraram a circulação de informações e a inteligência artificial passou a integrar a produção de conteúdo. Nesse cenário, conhecimentos de apuração, checagem e identificação de informações falsas continuam entre as habilidades exigidas dos profissionais.
Formação universitária ainda predomina
Mesmo sem a obrigatoriedade do diploma, a graduação específica continua predominante entre os jornalistas.
A pesquisa “Perfil do Jornalista Brasileiro 2021”, coordenada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), reuniu 7.029 respostas de profissionais de todo o país. Após o tratamento dos dados, foram considerados 6.650 questionários válidos.
O levantamento mostrou que 98,3% dos participantes estavam cursando ou já haviam concluído uma graduação ou pós-graduação. Entre os que informaram a área de formação, 94,1% tinham graduação específica em Jornalismo.

Cerca de 44 mil estudantes
Dados do Censo da Educação Superior de 2024 mostram que a categoria “Jornalismo” reunia 37.968 matrículas, 16.467 ingressantes e 4.885 concluintes no país.
Outros 5.634 estudantes estavam matriculados em cursos ainda registrados como “Comunicação Social – Jornalismo”. Considerando as duas nomenclaturas, eram aproximadamente 43,6 mil estudantes e 5,8 mil formados em 2024.
Os dados são do Censo da Educação Superior, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Maioria feminina e renda abaixo de R$ 5,5 mil
A pesquisa Perfil do Jornalista Brasileiro 2021, da UFSC, também apontou que 58% dos jornalistas eram mulheres e 68,4% se declararam brancos.
Apesar da elevada escolaridade, 57,9% recebiam menos de R$ 5,5 mil por mês. Mais de 32% trabalhavam acima de oito horas por dia.
O levantamento também mostrou que a assessoria de imprensa era a principal atividade para 43,4% dos entrevistados, indicando que a atuação profissional vai além de jornais, rádios, emissoras, portais e redações tradicionais.
Por que o diploma deixou de ser obrigatório?
A exigência do diploma para o exercício do Jornalismo foi derrubada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 17 de junho de 2009, durante o julgamento do Recurso Extraordinário 511961.
Por maioria, os ministros entenderam que exigir formação específica para o exercício da atividade jornalística entrava em conflito com as liberdades de expressão e de informação previstas na Constituição.
A decisão retirou o diploma como exigência legal, mas não eliminou a formação universitária nem os cursos de Jornalismo.
Desde então, propostas para restabelecer a obrigatoriedade foram apresentadas no Congresso Nacional. A PEC 33/2009 foi aprovada pelo Senado e encaminhada à Câmara como PEC 206/2012, mas a mudança constitucional não foi concluída.
Em 2026, o tema voltou ao debate após manifestações de ministros do STF favoráveis a uma nova discussão sobre a formação profissional. Até o momento, porém, não há mudança no entendimento de 2009.
Aos 35 anos, o curso de Jornalismo da Univali chega a um momento em que a profissão mudou profundamente, mas a formação universitária continua presente na trajetória da maioria dos profissionais. A discussão sobre a necessidade ou não do diploma, no entanto, permanece aberta.


