Hoje conhecido pelo intenso movimento, pelo comércio forte e por concentrar uma das maiores populações de Itajaí, o bairro São Vicente nem sempre teve essa realidade. Antes de se transformar em um dos principais polos urbanos do município, a região era chamada de Vassourão, possuía difícil acesso e era marcada por áreas de mata e campos. A história do bairro acompanha o próprio crescimento da cidade e revela como obras de infraestrutura, a força da comunidade e a fé dos moradores ajudaram a moldar uma das localidades mais importantes de Itajaí.
A antiga denominação Vassourão surgiu em referência a um arbusto abundante na região antes da urbanização. Com o passar dos anos, porém, o nome foi sendo substituído por São Vicente, inspirado na devoção da comunidade a São Vicente de Paulo.
Nas primeiras décadas de ocupação, a ligação com o Centro da cidade era bastante limitada. A travessia do Rio Itajaí-Mirim era realizada por meio de uma bateira conduzida pelo canoeiro Miguel José Wanderherc, uma figura conhecida pelos moradores da época. O acesso difícil contribuiu para que a região permanecesse isolada durante muitos anos.
A mudança começou a ganhar força na década de 1950, quando os próprios moradores construíram a primeira igreja da localidade. Inicialmente simples e feita de madeira, a estrutura tornou-se um símbolo da comunidade e ajudou a consolidar a identidade do bairro. Mais tarde, uma nova igreja foi erguida com apoio da família Ramos, fortalecendo ainda mais a presença religiosa na região.
O crescimento urbano acelerou com a abertura de importantes vias. A Rua Estefano José Vanolli impulsionou loteamentos e estimulou a ocupação da área. Na sequência, a Avenida Governador Adolpho Konder passou a desempenhar papel estratégico ao conectar o Centro de Itajaí à BR-101, ampliando a integração entre o bairro e outras regiões da cidade.
Outras intervenções também contribuíram para essa transformação. A construção da Ponte Francisco de Almeida, a reconstrução da Ponte Samuel Francelino, conhecida anteriormente como Ponte da Nova Brasília, e a retificação do Rio Itajaí-Mirim alteraram a dinâmica urbana local e favoreceram a expansão da ocupação residencial e comercial.
O desenvolvimento foi tão significativo que áreas originalmente pertencentes ao território de São Vicente conquistaram identidade própria ao longo dos anos. Regiões como Cidade Nova, Rio Bonito, Bambuzal e Nilo Bittencourt faziam parte do bairro antes de se consolidarem como localidades independentes. A Cidade Nova, por exemplo, tornou-se oficialmente um bairro em 1996.
Nas décadas de 1990 e 2000, a expansão ganhou ainda mais intensidade. Novos empreendimentos chegaram à região, o comércio se fortaleceu e São Vicente passou a concentrar uma das áreas urbanas mais movimentadas do município.
Atualmente, o bairro reúne uma ampla rede de serviços, escolas, unidades de saúde, empresas e importantes corredores viários. A trajetória de São Vicente reflete a própria evolução de Itajaí: uma região que deixou para trás o isolamento, cresceu junto com a cidade e se consolidou como um dos principais centros de desenvolvimento do município.
As informações históricas são baseadas em pesquisas do historiador Magru Floriano, autor do livro Nossas Localidades.


