O técnico Diego Souza, do Joinville Esporte Clube (JEC), foi suspenso por 360 dias e multado em R$ 20 mil pelo Tribunal de Justiça Desportiva de Santa Catarina (TJD-SC), após julgamento realizado nesta terça-feira (3). A punição está relacionada ao uso de uma licença profissional de treinador considerada falsa. A decisão foi unânime, por três votos a zero, e ocorre às vésperas da semifinal da Copa Santa Catarina, quando o Tricolor enfrenta o Hercílio Luz em busca de uma vaga na decisão do torneio.
Como já cumpriu 20 dias de suspensão preventiva, Diego Souza terá outros 340 dias de punição, caso a decisão seja mantida. A multa deverá ser paga no prazo de 15 dias. A defesa do treinador pretende recorrer ao Pleno do TJD-SC e, posteriormente, poderá levar o caso ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
Apesar da condenação, o Joinville confirmou que o auxiliar técnico Raphael Bahia continuará responsável pelo comando da equipe durante as partidas, enquanto Diego Souza permanecerá participando das atividades diárias com o elenco até o encerramento da Copa Santa Catarina de 2026, conforme posicionamento oficial do clube.
Entenda por que Diego Souza foi suspenso pelo TJD-SC
A denúncia contra Diego Souza foi apresentada pela Procuradoria da Justiça Desportiva de Santa Catarina, com fundamento no artigo 234, parágrafo 1º, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata da utilização de documento falso ou adulterado em atividades relacionadas ao esporte.
O caso começou a ganhar repercussão após a identificação de irregularidades em licenças de treinador supostamente emitidas na Argentina. O nome de Diego Souza apareceu nas investigações envolvendo Alejandro Mancuso, ex-jogador argentino investigado por suposta participação em um esquema de comercialização de certificados falsificados.
Segundo informações apresentadas no processo, a Associação de Técnicos do Futebol Argentino (ATFA) comunicou à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que Diego Souza não possuía registro acadêmico correspondente ao curso indicado em seu diploma, supostamente emitido em dezembro de 2023.
A entidade argentina também identificou divergências entre a data do documento e a assinatura do secretário-geral. Além disso, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) informou que não encontrou registro de licença profissional em nome do treinador.
Diante das irregularidades, a CBF cancelou o registro de Diego Souza no Boletim Informativo Diário (BID) em 8 de outubro. Posteriormente, em 23 de outubro, o TJD-SC determinou sua suspensão preventiva por 30 dias, incluindo a proibição de acessar estádios durante as partidas.
O julgamento definitivo em primeira instância disciplinar ocorreu nesta terça-feira (3), com a aplicação da suspensão de 360 dias.
Diego Souza afirma ter sido vítima de golpe envolvendo ex-jogador argentino
Durante o julgamento, Diego Souza negou ter conhecimento de que a documentação era falsa. O ex-atacante explicou que recebeu uma proposta de Alejandro Mancuso em 2023, quando ainda atuava como jogador profissional.
Segundo o treinador, o argentino teria oferecido uma forma acelerada de obter a licença, alegando que o procedimento seria destinado a ex-atletas de grande reconhecimento no futebol.
Diego afirmou que acreditou na proposta devido à experiência de Mancuso no esporte e que não desconfiou da autenticidade dos documentos recebidos.
Durante o depoimento, o treinador reconheceu que não participou de aulas para conseguir o certificado. Ele também declarou que procurou a CBF assim que tomou conhecimento das suspeitas de irregularidade.
A defesa sustenta que Diego Souza foi vítima de fraude e que não houve intenção de utilizar documentação falsificada.
O argumento, no entanto, não foi suficiente para afastar a punição aplicada pela primeira instância do TJD-SC.


