
Muitas empresas brasileiras seguem crescendo sem uma estrutura financeira capaz de sustentar esse avanço e os sinais de que o negócio está à beira do caos aparecem antes do prejuízo. Entre os principais indícios estão vender muito sem sobrar dinheiro no final do mês, medo de investir ou sensação de que o negócio não evolui apesar de aportes constantes. Esses alertas ganham ainda mais peso com a chegada da Reforma Tributária, que exige previsibilidade, organização e maior controle do fluxo financeiro.
O especialista Jefferson Granemann, sócio e diretor financeiro da Codar Contabilidade, com mais de 15 anos de experiência, explica que o problema não está necessariamente no produto ou na operação, mas na falta de processos estruturados. “Existe um limite natural para crescer sem controle, financeiro, fiscal e tributário, e muitas empresas só percebem quando não sabem mais como continuar expandindo”, afirma. Segundo ele, planejamento, organização e automação são essenciais para evitar que a empresa chegue a esse ponto de ruptura.
Além disso, para Granemann, aumentar o faturamento sem organização pode ser arriscado, e a automação se torna ainda mais importante com a Reforma Tributária. Isso porque a automação ajuda a reduzir erros, padronizar processos e a liberar os profissionais para atuar de forma estratégica, analisando dados e tomando decisões mais embasadas. Ao dominar alguns pilares, a empresa consegue transformar a desordem em controle.

Os pilares para colocar a casa em ordem
Granemann resume o processo de reorganização financeira em quatro pilares principais:
1. Contas a pagar e a receber: a base operacional
O primeiro passo para organizar as finanças de uma empresa é ter controle absoluto sobre as contas a pagar e a receber. Segundo Granemann, sem essa base, qualquer outro esforço de gestão se torna ineficiente. “Os principais indícios de caos são quando o empresário percebe que vende muito, mas não sobra dinheiro no fim do mês. Ou quando tem medo de investir porque está há dois anos colocando dinheiro e nada flui”, destaca.
2. Conciliação bancária: integrando os registros
Mesmo com um bom controle operacional, sem conciliar as movimentações bancárias, os números podem não refletir a realidade da empresa. A conciliação garante que cada registro esteja correto e atualizado. “Não adianta o operacional rodar bem se não existe conciliação bancária para registrar isso nos sistemas”, revela.
3. Fluxo de caixa: o coração da empresa
O fluxo de caixa permite ao empresário analisar o passado e projetar o futuro financeiro, criando previsibilidade e fundamentando decisões estratégicas. De acordo com ele: “Através do fluxo de caixa, eu olho para o passado e projeto o futuro e, partindo disso, conseguimos formar uma análise de resultado detalhada e olhar o porquê daqueles números do fluxo de caixa”, afirma.
4. Relacionamento bancário: acesso a soluções financeiras
O último pilar, porém não menos importante, seria manter uma relação próxima com instituições financeiras para garantir produtos e serviços que favoreçam a operação e o crescimento do negócio, como antecipação de recebíveis e meios de pagamento eficientes. “O relacionamento estreito com as instituições financeiras é vital para o desempenho do negócio”.
Esses quatro pilares, segundo Granemann, formam a gestão financeira básica que qualquer empresa precisa para colocar a casa em ordem e garantir crescimento sustentável.
Automação: essencial na era da reforma tributária
O especialista ainda ressaltou a importância da automação em todos esses processos. Antes considerada opcional, a tecnologia agora é decisiva: “Automação é muito importante por isso: você garante a padronização do resultado, reduz, e muito, a margem de erro (de preenchimento e erro humano), mas não significa, óbvio, que você irá substituir as pessoas. Pelo contrário, você vai liberar essas pessoas para atuar de forma mais estratégica”, finaliza.
Para conferir a entrevista completa com Jefferson Granemann, da Codar Contabilidade, e entender como potencializar a gestão da sua empresa, acesse o canal da Jovem Pan News Litoral (@jpnewslitoral)